| Recrutar para os diversos níveis de uma organização |
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Por Sónia S. Silva
Directora da Search & Select sasilva@select.pt |
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O que é que na prática diferencia o recrutamento e a selecção de quadros de topo do que acontece para outros níveis de uma organização? Resposta a seguir, numa reflexão em que se assinala que «não existe uma fórmula perfeita nem concreta que garanta o sucesso de qualquer processo de recrutamento e selecção». | A crescente competitividade global, a evolução tecnológica e o aprofundamento de práticas e técnicas nas diversas áreas de trabalho exigem que, cada vez mais, as empresas prestem especial atenção ao processo de selecção de colaboradores. Deixou de haver tempo para remendar uma contratação inadequada, e os custos inerentes a esse erro significam muitas vezes a estagnação, pelo menos temporária, do negócio (e, consequentemente, prejuízos financeiros imediatos e a médio ou longo prazo, pela perda de terreno face à concorrência).
Não existe uma fórmula perfeita nem concreta que garanta o sucesso de qualquer processo de recrutamento e selecção. No entanto, há regras, técnicas e procedimentos estabelecidos e consagrados, que podem ser seguidas e que aumentam razoavelmente a probabilidade de êxito dos processos; estas práticas acabam por ter semelhanças nos seus aspectos mais gerais, quer se trate de recrutamento de quadros de topo, quer de funções mais juniores.
A determinação rigorosa, correcta e adequada dos perfis de competências é um aspecto essencial para o sucesso de um recrutamento, assim como a cultura, o talento natural, a empatia e o quadro de valores dos candidatos. É necessário conhecer a realidade da empresa e a exigência do posto de trabalho para que o perfil seja traçado com rigor. Outro aspecto não menos importante é a aplicação dos mais exigentes padrões de rigor técnico em todos os passos da selecção; ou seja, para além de uma equipa experiente e com as competências necessárias para o efeito, há que apostar em ferramentas de selecção apropriadas a cada caso, que nos permitam avaliar e perceber o perfil traçado e a sua adequação ao posto de trabalho a preencher.
A grande diferença entre seleccionar quadros de topo e, por exemplo, quadros técnicos tem a ver com a definição da estratégia de recrutamento (atracção). Enquanto um quadro técnico pode ser atraído através de um anúncio, um quadro de topo tem de ser «encontrado» e atraído para o projecto, e como tal exige outro tipo de abordagem metodológica.
Por outro lado, e no que respeita à selecção, se estivermos a referir-nos à selecção de quadros de topo, esta deve ser conduzida e aplicada de uma forma diferenciada das restantes posições, uma vez que para os perfis procurados se torna muito mais relevante a informação ligada ao passado e ao presente profissional, que é pela natureza das coisas muito mais rica nestes casos; assim, o trabalho de avaliação do perfil deverá passar muito mais pela análise das motivações do que pelo potencial futuro. Nestes casos, é fundamental reunir, com profundidade, toda a análise profissional do candidato, com especial enfoque na forma como entrou e saiu de cada projecto, sempre que possível com aspectos mensuráveis em termos de resultados obtidos e com os níveis hierárquicos claramente explicados, de forma a entender bem os graus de autonomia e responsabilidade que assumiu em cada função ocupada.
Ao contrário do que fazemos para posições juniores, em que interessa sobretudo conhecer o potencial de desenvolvimento dos candidatos através da aplicação de várias ferramentas avaliativas, uma metodologia de pesquisa directa é, para os casos de quadros de topo, a forma mais correcta de abordagem e a que garante melhores resultados, já que incide no historial da carreira e permite detectar os pontos fortes e fracos do carácter, do desempenho e do relacionamento com a hierarquia e o grupo, factores predominantes para uma selecção acertada de um quadro para qualquer função em que o perfil individual seja o eixo principal da contratação.
Em jeito de síntese, podemos afirmar que as metodologias utilizadas em recrutamento e selecção devem ser escolhidas e aplicadas, por uma equipa de profissionais especializados e experientes, em função das características específicas dos perfis procurados. Em qualquer categoria profissional, mas em particular nos quadros de topo, factores como a cultura organizacional, o sector de actividade, o momento económico ou factores concorrenciais são aspectos-chave que devem ser tidos em conta para o sucesso de uma missão de recrutamento, centrada na detecção de um profissional que reúna características individuais, pessoais e profissionais especialmente apropriadas para o posto de trabalho a preencher; características essas a revelar mediante a aplicação de técnicas específicas mas com enfoque na apreciação aprofundada do historial profissional do candidato. Num mercado que, espera-se, virá a revelar uma expansão mais acentuada durante este ano de 2008, a competitividade da empresa passará pela prestação de um serviço de excelência ao cliente, pelo que qualquer processo de recrutamento e selecção exige preparação, planeamento e rigor. |